10 perguntas comuns para quem quer ingressar na EFOMM

A escolha de uma carreira é sempre uma questão delicada para qualquer jovem que quer ingressar no mercado de trabalho. Muitos conselhos são dados, mas várias incertezas permanecem. Há muita história e falácia em torno da profissão de oficial mercante, devido a isso, a equipe do Jornal Canal 16 resolveu criar este post no intuito de esclarecer alguns pontos e facilitar uma possível decisão a ser tomada.

1 – Quanto é o salário? Vou ficar rico?

É quase unânime a visão daqueles que almejam ao cargo de aluno da EFOMM acerca da remuneração correspondente à futura profissão, entretanto a realidade não condiz exatamente com a mentalidade de cada um, já que o salário é diretamente proporcional à responsabilidade que um oficial mercante tem. Aproximadamente 97% do comércio exterior do país é realizado pelo mar, nessa ótica, percebe-se a grande importância dos oficiais mercantes neste processo. Transportar mercadorias de um ponto a outro, seja entre cidades ou continentes, requer atenção em vários âmbitos, como no trato com a tripulação, nas condições meteorológicas e nas decisões importantes a serem tomadas durante a navegação. O salário é considerado alto se comparado a outros profissionais recém-formados, todavia está apenas condizendo com a competência necessária na função exercida.

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2 – O que é EFOMM e o que eu irei fazer lá?

EFOMM é a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante brasileira. Uma vez aprovado no processo seletivo, o aluno irá estudar em uma escola militar da Marinha do Brasil, sendo, assim, militar durante os três anos de curso. O primeiro ano é o básico, contendo matérias de caráter geral, a partir do segundo ano, cada aluno faz a sua opção entre o curso de náutica e o de máquinas, os quais contêm matérias de caráter especifico. Após este período de três anos, o antes aluno, agora praticante, será submetido a um ano de praticagem a bordo de um navio, no qual serão postos em prática os conhecimentos teóricos adquiridos, tornando-o apto a embarcar e tripular navios mercantes.

 3 – Eu tenho tatuagem ou piercing. Posso entrar na marinha mercante?

O oficial mercante durante sua formação é militar. Portanto, é proibido tatuagens e piercings que fiquem visíveis quando fardados, seja qualquer  fardamento. Após a conclusão do curso, passa a integrar o quadro de oficiais da reserva da marinha não remunerada e torna-se civil. A partir deste momento, não há contraindicações quanto ao uso de tatuagens e afins. Lembre-se que o oficial mercante trabalhará embarcado em uma empresa que tem suas normas e regulamentos, logo terá que se adequar a eles para tripular os navios da companhia.

4 – Como é a vida e a rotina nas escolas de formação de oficiais da marinha mercante?

Durante os três anos de escola, o aluno é submetido à formação militar. A marinha oferece moradia, alimentação, estudo, saúde e uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.162,00 que entra em vigor a partir de março de 2015. Portanto, durante a semana, o regime é de internato, e o aluno é liberado aos fins de semana para ir para casa, se puder. A rotina do aluno se constitui basicamente das formaturas diárias, das aulas e das atividades complementares. O aluno precisa formar para as refeições de café da manhã, almoço, janta e ceia. Têm aula durante toda a manhã, até as 11h50min, e a tarde até as 14h40min. Após este horário, tem-se a parada diária, na qual ocorrem os avisos por parte do comando da escola, seguido do treinamento físico militar (TFM) correspondente ao dia.

5 – Como é a minha situação depois de formado, militar ou civil? E qual meu cargo?

Após a formatura, o aluno torna-se militar da reserva, considerado civil, passando para o período de estágio, o qual chamamos de praticagem. Ele vai praticar e, então, estará capacitado a embarcar em navios mercantes, sendo contratado diretamente por uma empresa também civil. Assim que ele concluir a praticagem, assumirá o posto de 2º Oficial de Náutica (podendo chegar até comandante) ou 2º Oficial de Máquinas (que pode chegar até Chefe de Máquinas) e terá as atribuições referentes a sua posição dentro do navio e da empresa que o contratou.

6 – Como é o regime de trabalho e qual a função no navio?

Os oficiais de um navio são divididos em oficias de Náutica e de Máquinas. Os oficiais de náutica são os pilotos, os quais são responsáveis pela condução e administração da embarcação em geral. Os oficiais maquinistas são incumbidos de manter as máquinas dos navios em perfeito funcionamento. Estas são as funções básicas, mas, em geral, num navio, todos os tripulantes possuem diversas atribuições devido à complexidade das operações. O tráfego mercante requer muita atenção devido à complexidade de transportar cargas de forma rápida e segura.

O oficial mercante trabalha embarcado de acordo com a escala estabelecida pela empresa e embarcação. As escalas mais comuns nos dias atuais são 14×14 (14 dias embarcado trabalhando e 14 dias em casa), 28×28 , 35×35, 60×60, 60×30 ou até 90×45.

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7 – Quão rápido será o crescimento na empresa?

O oficial é promovido de acordo com o tempo de embarque. O 2º oficial da marinha mercante, depois de certo tempo de embarque efetivo, de acordo com área, tem possibilidade de fazer um curso de alguns meses e ser promovido a 1º oficial. A partir daí, não muda o cargo na carteira de trabalho, e sim a função exercida pelo oficial. Os pilotos podem embarcar como Imediato e, posteriormente, como Comandante do navio. Já os maquinistas podem embarcar como Subchefe e até como chefe de máquinas.

8 – É verdade que o mercado está cheio e em breve faltará emprego?

O mercado de trabalho em qualquer segmento tem períodos de alta e de escassez. Na marinha mercante não é diferente. As oportunidades de embarque para os oficiais existem. Em alguns momentos temos apenas um excesso de alunos na fila para a praticagem, o que acaba gerando uma pequena espera para começar o embarque. Uma vez terminado o período de estágio, tudo vai ficando mais fácil e é bem provável que se consiga uma vaga para trabalho. Conforme se é promovido a 1º oficial, tem-se um grande leque de possibilidades de escolha, já que a escassez de profissionais mais experientes é maior. Assim,  como em qualquer empresa, o profissional qualificado e competente nunca fica desembarcado.

9 – Depois de formado, posso trabalhar em terra?

Após o período de três anos, todos os alunos são obrigados a completar um ano de praticagem. Depois disso, é opção do oficial embarcar em alguma empresa que o contrate ou tentar conseguir alguma vaga na área em terra. Mas é claro que as opções em terra são muito menores que no mar, afinal, o curso é marítimo. É mais comum os oficiais de máquinas conseguirem uma vaga em terra, quando se tem alguma experiência, do que os de náutica conseguirem. O oficial mercante formado na EFOMM ainda tem a opção de realizar uma prova interna da marinha para compor o quadro complementar da marinha de guerra e voltar para a ativa, como oficial da marinha de guerra.

10 – Quais as condições necessárias para se inscrever no concurso da EFOMM?

Ser brasileiro(a) nato;

Ser solteiro(a);

Ter no mínimo 17 anos e no máximo 23;

Ter concluído ou estar concluindo com aproveitamento a última série do ensino médio;

Estar em dia com suas obrigações civis e militares.

Colaboradores: Aluna Carolina Costa

Revisão Ortográfica: Imediata Aluna Gabriela

Al. Lemos

Al. Lemos

Aluno do 3º ano do curso de Náutica do CIABA

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